Áudios enviados por patroa em grupo de mensagens narram agressão contra doméstica grávida no MA: 'Não era pra ter saído viva'
Áudios enviados por patroa em grupo de mensagens narram agressão contra doméstica no MA A TV Mirante teve acesso exclusivo aos áudios de Carolina Sthela Fer...
Áudios enviados por patroa em grupo de mensagens narram agressão contra doméstica no MA A TV Mirante teve acesso exclusivo aos áudios de Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, suspeita de agredir uma empregada doméstica no último dia 17 de abril, na casa onde a vítima trabalhava no município de Paço do Lumiar, na Grande São Luís. Em um dos áudios, Carolina Sthela chega a dizer que a vítima era para ter ficado com mais hematomas e "não era pra ter saído viva" (ouça os áudios no vídeo acima). 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp Nos áudios postados pela suspeita em um grupo de mensagens, ela detalha como torturou a vítima, que tem 19 anos e está grávida de cinco meses. A jovem, identificada como Samara, afirmou ter sido espancada após ser acusada de roubar joias da ex-patroa. Ela contou que aceitou o trabalho como empregada doméstica para comprar o enxoval do bebê, com um contrato de apenas um mês. Nas mensagens, Carolina Sthela descreve as agressões contra a empregada doméstica. Ela acreditava que a jovem havia roubado um anel. “Quase uma hora essa menina no massacre, e tapa e murro e pisava nos dedos. Tudo que vocês imaginarem de doidice, era eu e ele fazendo”, afirmou Carolina Sthela. ➡️ A produção da TV Mirante confirmou a veracidade dos áudios com a Polícia Civil do Maranhão, a qual informou que as mensagens já estão anexadas ao inquérito. Nos áudios, Carolina Sthela Ferreira dos Anjos descreve as agressões contra a empregada doméstica. Reprodução/TV Mirante Nos áudios, a mulher contou que precisou da ajuda de um homem, ainda não identificado, para pressionar a empregada de forma violenta. Na manhã do dia 17 de abril, ele foi armado até a casa de Carolina. “Eu acordei era 7h30. Aí eu (disse): ‘Samara, arruma logo essa cozinha’, que eu também não sou besta, ‘que eu vou receber um amigo meu aqui em casa’. Aí ele chegou e eu disse ‘entra, amigo’. Ele (o homem) já veio com uma jumenta de uma arma, chega brilhava." No relato, a suspeita conta o momento em que chama a empregada para conversar após a chegada do homem, a quem atribui participação na abordagem sobre o desaparecimento do anel. "Aí eu (falei): ‘Samara, faz favor, vem cá. Ontem sumiu meu anel, você sabe, né? Aqui não entrou ninguém de fora, só a gente, a única pessoa estranha é você. E meu anel não tem perna e nem asa pra andar voando. Então eu quero que você vá pegar meu anel de onde você botou, pra gente não ter problema’”, relatou a mulher. Enquanto a empregada procurava o anel nos quartos da casa, as agressões começaram. “Puxou a bicha, botou assim, tirou a touca da cabeça dela, pegou no cabelo, botou ela de joelho, puxou a bicha e botou na boca dela. ‘Eu acho bom tu entregar logo esse anel, onde é que tá? Tá aqui? Bora brincar de quente ou frio. Tá aqui em cima, tá aqui embaixo?’ Aí onde ele ia apontando, botava a cabeça dela se tava.” Após mais de uma hora de procura, o anel foi encontrado no cesto de roupa suja. Mesmo assim, as agressões continuaram. “Tapa e tapa, menina, dei. Gente, eu dei tanto que minha mão tá inchada. Até hoje meu dedo chega tá roxo”, contou Carolina. No dia seguinte, a empregada registrou um boletim de ocorrência e fez exame de corpo de delito, que confirmou as lesões. Nas fotos, são visíveis as marcas pelo corpo da mulher, e a que está na testa, segundo ela, é resultado de uma coronhada. Polícia investiga agressão contra doméstica acusada de roubo por ex-patroa Reprodução/ TV Mirante Após o boletim, a polícia foi até a casa da suspeita, mas, segundo Carolina nos áudios, o policial que atendeu a ocorrência era amigo dela. “Parou uma viatura no meio da rua, eles vieram pra de manhã mesmo aqui. Mas veio com um policial que me conhecia. Sorte minha, né? E sorte dela também. Aí eu expliquei pra ele o que tinha acontecido. Aí ele disse: ‘Carol, se não fosse eu, eu tinha que te conduzir pra delegacia, porque tá cheia de hematoma’. Aí eu disse: ‘era para ter ficado era mais, não era pra ter saído viva’”, afirmou Carolina. A patroa também registrou boletim de ocorrência, mas a história que contou para a polícia é diferente da que ela descreveu nos áudios. Na delegacia ela disse que sentiu falta das joias que usava no dia a dia, procurou pela casa e não as encontrou. Disse que pediu para ver a bolsa da empregada e que as joias estavam lá, então chamou a polícia, mas a empregada saiu correndo pelo condomínio. O caso é investigado pela 21ª Delegacia de Polícia Civil do Araçagy. Carolina Sthela não foi presa nem indiciada até o momento. À TV Mirante, o marido de Carolina Sthela Ferreira dos Anjos afirmou que não existem áudios dela e que as mensagens divulgadas são "inverdades". A Secretaria de Segurança Pública também foi procurada pela reportagem para se manifestar sobre o áudio em que a suspeita afirma que o policial que atendeu a ocorrência era amigo dela e, por isso, não a conduziu até uma delegacia — que seria o procedimento correto. Mas a SSP-MA ainda não retornou aos contatos. A vítima, que tem 19 anos, está grávida de cinco meses. Reprodução/TV Mirante Suspeita das agressões tem mais de dez processos contra ela A polícia também informou que existem mais de dez processos envolvendo a suposta agressora. Em um deles, de 2024, ela foi condenada por calúnia após acusar falsamente a ex-babá do filho dela de roubar uma pulseira de ouro. O processo tramitou no Juizado Civil e Criminal de Santa Inês, e a sentença foi proferida em outubro do ano passado. A acusada foi condenada a seis meses de prisão em regime aberto, mas a pena foi substituída por prestação de serviço comunitário. Ela também foi condenada a pagar R$ 4 mil por danos morais. A produção da TV Mirante também conversou com Sandila Souza, ex-babá que denunciou a mesma mulher em outro processo. Ela contou que começou a trabalhar na casa da suspeita quando tinha 17 anos e que, atualmente, não mora mais no Maranhão. Segundo a ex-babá, o pagamento pelo serviço era feito por contas de terceiros, nunca diretamente pela patroa. Ela também afirmou que a indenização por danos morais ainda não foi paga. “Ela olhou pelas câmeras. Foi no mesmo momento que ela viu saindo com as minhas malas e falou que ela ia na delegacia, que eu tinha roubado a pulseira do filho dela. Ela ia falar que eu tinha roubado a pulseira do filho dela. Eu falei eu não roubei a pulseira do seu filho, mas se você quiser ir lá, você pode ir que tem câmera em todo lugar e as câmeras nunca ficam desligadas.” A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil informou que prepara um relatório sobre os processos envolvendo a suspeita. A entidade também acompanha o caso registrado na semana passada. Procurada pela TV Mirante, a suspeita disse, em nota, que as alegações são “uma distorção do que realmente aconteceu” e que todas as medidas jurídicas cabíveis já foram tomadas para esclarecer os fatos.